O DJI Mini 5 Pro aterrissou oficialmente no Brasil em março de 2026 com uma promessa ambiciosa: ser o primeiro drone abaixo de 250 gramas com sensor de 1 polegada, LiDAR frontal para voo noturno e autonomia de até 52 minutos com a bateria Plus. A DJI cobra R$ 8.680 pelo kit básico e até R$ 12.990 no Fly More Combo Plus com controle integrado — preço salgado, mas justificável quando você olha a ficha técnica e percebe que a empresa chinesa comprimiu, nesta caixinha de 249 gramas, o que há dois anos cabia só em drones de 900 gramas.
Passei três semanas testando o Mini 5 Pro em cenários reais: gravação de imóveis no litoral norte de São Paulo, cobertura de evento esportivo em Belo Horizonte e voo noturno numa propriedade rural em Minas. O resultado é um aparelho que, pela primeira vez, faz o cinegrafista profissional hesitar entre o Mini da DJI e os modelos grandes.
O que mudou do Mini 4 Pro para o Mini 5 Pro
Quem tem o Mini 4 Pro vai perguntar se vale trocar. A resposta honesta é depende do que você filma. As três mudanças realmente significativas são:
- Sensor de 1 polegada. O Mini 4 Pro tinha 1/1.3". O salto é enorme em condições de baixa luz — amanhecer, pôr do sol, interiores. A diferença de faixa dinâmica passa de 12 stops para 14 stops em modo Auto.
- LiDAR de obstáculos com visão noturna. Detecta obstáculos em apenas 1 lux — quase escuridão total. Voar de madrugada em área rural sem medo de bater em árvore finalmente virou realidade.
- Gimbal que gira 225°. Permite enquadramentos verticais nativos para Reels/TikTok sem crop e planos de cabeça-para-baixo em tomadas de acompanhamento.
Qualidade de imagem: quase no nível do Mavic 3
O Mini 5 Pro grava em 4K 60 fps HDR nativo e 4K 120 fps para slow motion, com codec H.265 10-bit em D-Log M e HLG. Na prática, a imagem saindo dele é 85% do que um Mavic 3 Pro (que custa quase o dobro) entrega. O ponto em que o Mavic ainda ganha é nas lentes intercambiáveis com zoom óptico real — o Mini usa digital mesmo no 48 mm Med-Tele, mas a resolução de 50 MP do sensor permite cortar sem perda perceptível em 4K.
No pôr do sol de Paraty, o sensor de 1" mostrou seu valor: gradientes de céu perfeitos, sombras preservadas e zero banding. Em condição de luz difícil (céu nublado), o arquivo D-Log M tem muita latitude na edição — dá para puxar 2 stops em highlights sem quebrar.
Voo e autonomia
A bateria padrão dá 36 minutos reais (DJI anuncia 41). A Plus — que pesa mais e leva o drone acima de 249 g, cancelando isenção de registro na ANAC — dá 48–52 minutos. O alcance de transmissão subiu para 20 km com OcuSync 4+, e em ambiente urbano rodei 3 km sem perda de sinal. Em terreno aberto, o limite ficou na minha coragem, não no drone.
O modo ActiveTrack 360° mudou de patamar. Segui um corredor numa trilha em Serra do Cipó e o drone manteve foco mesmo em áreas com muitas árvores. No Mini 4 Pro, eu perdia track em 2 de cada 10 tentativas; no 5, não perdi nenhuma.
Voo noturno: o recurso matador
O LiDAR frontal é o que separa o Mini 5 Pro de todos os concorrentes. Testei voando uma fazenda às 23h com lua nova — iluminação inferior a 2 lux. O drone detectou uma cerca de arame que eu mal via a olho nu e freou automaticamente a 2,5 metros. Recurso impossível em qualquer outro drone sub-250g em 2026.
Preço no Brasil — e o problema do ICMS
O preço brasileiro do Mini 5 Pro continua mais alto que o exterior por causa do ICMS e do frete. Nos EUA, o kit básico custa cerca de US$ 759 (R$ 3.800 ao câmbio atual) — aqui, R$ 8.680. Quem importa com taxa paga cerca de R$ 5.500–6.000, mas perde garantia.
O que vem no kit
- Básico (R$ 8.680): drone + 1 bateria + controle RC-N3 (sem tela) + cabos
- Fly More Combo (R$ 10.890): drone + 3 baterias + carregador hub + bolsa + filtros ND
- Fly More Combo Plus (R$ 12.990): o mesmo acima + controle DJI RC 2 com tela integrada
Concorrentes que valem a pena considerar
Autel Evo Nano+ (R$ 5.900): Sensor ligeiramente menor, sem LiDAR, mas metade do preço. Boa opção para quem não precisa do topo absoluto.
DJI Mini 4 Pro (R$ 6.200): Ainda excelente em 2026. Se você não filma à noite nem precisa do sensor grande, é o custo-benefício.
HoverAir X1 Pro Max (R$ 3.900): Drone selfie sem controle remoto, foca em criadores de conteúdo individuais. Câmera mais fraca mas autonomia e facilidade matam qualquer concorrente na faixa.
Para quem vale comprar
- Videomaker profissional que quer um drone leve para complementar o Mavic 3 em viagens
- Corretor de imóveis que precisa de qualidade sem investir R$ 20.000
- Criador de conteúdo sério para YouTube e TikTok que precisa do gimbal vertical
- Fotógrafo de casamento que grava nascer do sol e precisa do sensor grande
Para quem NÃO vale
- Iniciante absoluto — DJI Mini 4 Pro faz 90% do trabalho por 30% menos
- Quem filma só em condições ideais (sol forte, espaço aberto)
- Quem precisa de zoom óptico real (escolha o Mavic 3 Pro)
Conclusão: o melhor Mini já feito
O DJI Mini 5 Pro é, sem exagero, o drone compacto mais importante do mercado em 2026. A chegada do sensor de 1 polegada abaixo dos 250 gramas era considerada impossível há dois anos — e a DJI entregou com sobra. O preço brasileiro é alto, mas a proposta é a de um drone profissional disfarçado de brinquedo. Se você já comprou Mini 4 Pro há menos de um ano e não faz vídeo noturno, pule. Se está comprando o primeiro drone sério e tem orçamento, é fácil: este é o melhor investimento em 2026.