O 1X NEO é o primeiro robô humanoide projetado, desde o parafuso até a IA, para viver dentro de uma casa com pessoas — não em uma fábrica. Essa escolha molda tudo: o tecido malha que cobre o corpo, os motores com tendão artificial, o andar deliberadamente calmo. A pergunta prática, agora que as primeiras unidades estão em residências de early adopters, é se o conceito entrega o que promete.
O que é o 1X NEO
Desenvolvido pela norueguesa 1X Technologies (antiga Halodi Robotics), com investimento da OpenAI, o NEO tem 1,65 metro, pesa apenas 30 quilos e foi lançado comercialmente em outubro de 2025. A bateria rende cerca de quatro horas de trabalho ativo, com recarga autônoma em base tipo aspirador robô. O design é minimalista, vagamente antropomórfico e claramente estudado para parecer menos ameaçador que os concorrentes industriais.
Tarefas que ele realmente faz
No uso real de beta testers que acompanhamos, o NEO executa bem um conjunto delimitado: buscar objetos pela casa, arrumar a cozinha depois de refeições, dobrar roupas simples, separar lixo reciclável, regar plantas, abrir e fechar portas, responder perguntas verbais e monitorar pets quando os donos estão fora. Também serve como ponto móvel de videochamada, útil para idosos.
Não cozinha refeições completas, não sobe escadas carregando peso significativo, não lida bem com líquidos em recipientes instáveis e tem dificuldade com superfícies muito escorregadias ou desordem extrema.
Preço e lista de espera
O preço anunciado é US$ 20 mil no modelo de compra direta, ou US$ 499 mensais em assinatura que inclui hardware, atualizações de software, manutenção e substituição em caso de defeito. Nos Estados Unidos, a lista de espera passa de 60 mil pedidos. A 1X promete entregar entre 3 e 5 mil unidades ao longo de 2026, o que significa esperas realistas de 18 a 24 meses para quem entrar agora.
Segurança em casa
Aqui está o diferencial mais importante do NEO. Ao contrário de Figure e Optimus, ele foi deliberadamente projetado para falhar com graça. Os motores não conseguem aplicar força suficiente para ferir um adulto em colisão acidental. O tecido externo amortece contato. Sensores de proximidade param o robô instantaneamente se alguém entra na zona de trabalho das mãos.
O compromisso é claro: menos força e velocidade em troca de conviver com crianças, idosos é animais sem drama. Para uso doméstico, é o compromisso certo.
Limitações atuais
Além das tarefas impossíveis, há três limitações práticas que o marketing evita. Primeiro, o NEO ainda precisa de teleoperação humana discreta em cerca de 20% das situações novas, segundo relatório independente do TechCrunch de janeiro de 2026. A 1X chama isso de Expert Mode é argumenta que é como o robô aprende. É verdade, mas o comprador precisa saber que outro humano pode estar vendo o feed.
Segundo, a bateria de quatro horas significa que ele passa boa parte do dia carregando. Terceiro, o preço de US$ 20 mil ainda é alto demais para justificar pelas tarefas que executa, quando comparado ao custo de serviços domésticos tradicionais no Brasil. A matemática fecha melhor em mercados com mão de obra cara.
Concorrentes no mesmo nicho
No segmento estritamente residencial, o NEO não tem ainda concorrentes diretos à venda. O Tesla Optimus Gen 3 mira o consumidor, mas com posicionamento mais próximo de ferramenta multiuso do que companheiro doméstico. O Unitree G1, chinês, é bem mais barato (US$ 16 mil), mas claramente menos polido para convivência em casa é ainda sem distribuição ocidental séria. O Apptronik Apollo foca em logística.
O veredito honesto é que o NEO vale a pena para dois perfis. Early adopters com orçamento folgado e curiosidade tecnológica legítima, que aceitam pagar caro pelo pioneirismo. E famílias com idosos que moram sozinhos, onde o valor de monitoramento ativo é companhia prática justifica o investimento. Para todos os outros, esperar a segunda geração — provavelmente em 2027 — é financeiramente mais sensato.